- Ressuscita-te e encarna-te! para acabar de viver o que lhe cabe: a sua própria vida.
Seduz, ama, se envolve e consome-se em prazer na brincadeira com outros centauros feridos. Vive esse amor dos umbrais, fugaz, imorais, dos mortais e cavalga assim, amalgamente, faltando um pedaço.
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Margareth Bausch |
A Margaret
Ao som de
um estardalhaço, aos mil pedaços de um ser, surge na mata estilhaços de um
frágil corpo que reflete por toda a parte a nova luz da aurora. Alguns dizem
ser a ninfa Perséfone, que sai do mundo sublime na colheita de narcisos e
encarna no mundo das trevas e dos mortos, o mundo subterrâneo de Hades. Outros
dizem ser uma espécie de centauro, da linha de Quíron, a curadora ferida, filha
da dor da Traição – dos outros e de si própria. Há quem diz ser a Loba, aquela que recolhe e conserva especialmente o que corre o risco de se perder para o mundo, e conclama os restos psíquicos do espírito da mulher selvagem, soprando canto sobre seus ossos, a fim de restaurar sua própria vida. Seus cabelos são mais negros
que a asa da graúna, seu espírito é caudaloso, voraz e misterioso. Ela tem algo de mar, tem algo do ar, de amar e de amargar. Uma verdadeira amálgama.
Em suas expedições internas, embarcou em muitos países distantes, terras longínquas, de cartografias muitas. Enebriou-se com a cabeça em maresia, naqueles mares tantos. Relembra aquele seguro e lindo cais que houvera, porém sobre o qual sabia que seu barco nunca aportaria. Seria ela, a própria marinheira que dormia?
-Agora sim, os mares te inundarão! Verás enfim, com olhos do seu coração, além. Além do que achavas ser seu caminho.
Dei-lhe patas para galopar, aos golpes e às rajadas de vento, nas asas do desejo e no pântano de sua alma - uma zona abissal, turva e pantanosa, que borbulha, sangra e não estanca. Para que assim então pudesse aterrar, pertencer, enraizar e sobretudo permitir-se ser inteiramente.
Em suas expedições internas, embarcou em muitos países distantes, terras longínquas, de cartografias muitas. Enebriou-se com a cabeça em maresia, naqueles mares tantos. Relembra aquele seguro e lindo cais que houvera, porém sobre o qual sabia que seu barco nunca aportaria. Seria ela, a própria marinheira que dormia?
-Agora sim, os mares te inundarão! Verás enfim, com olhos do seu coração, além. Além do que achavas ser seu caminho.
Dei-lhe patas para galopar, aos golpes e às rajadas de vento, nas asas do desejo e no pântano de sua alma - uma zona abissal, turva e pantanosa, que borbulha, sangra e não estanca. Para que assim então pudesse aterrar, pertencer, enraizar e sobretudo permitir-se ser inteiramente.
- Ressuscita-te e encarna-te! para acabar de viver o que lhe cabe: a sua própria vida.
Seduz, ama, se envolve e consome-se em prazer na brincadeira com outros centauros feridos. Vive esse amor dos umbrais, fugaz, imorais, dos mortais e cavalga assim, amalgamente, faltando um pedaço.